21 maio 2013

Teu Gosto

 Chega de ladainha e me beije logo. Teus lábios são bonitos, mas ficam mais quando colados nos meus. Tire essa mão do volante e grude-a na minha perna, ou um pouco mais para cima. Sei que minha máscara amarga combina com teu lado doce, mas quero sentir meus pelos eriçando com sua barba em meu pescoço. Desculpe meu apreço pelo erro, mas é assim que sou, é assim que quero ser. Por mais que eu tente esconder, meu lado sujo fala mais alto. Na verdade, grita. E não quero esconder isso de você. Quero que apenas você me conheça realmente como sou. Gosto de palavras, mas não sou boa com elas. Por isso prefiro demonstrar meus sentimentos com meu corpo. E sei, pelo teu semblante, que tu gosta e que deseja uma madrugada prolongada comigo.


P.S.: Projeto de poema em prosa para o laboratório de redação. 

16 maio 2013

cartas não enviadas

Querido,

Faz muito tempo desde a última vez em que nos vimos. Não que eu me sinta mal por causa disso. Deve ter ouvido conversas fiadas sobre mim e sobre os bares de quinta que andei frequentando. Deve ter ouvido o quanto bebi, o quanto falei, o quanto dancei e o quanto chorei. Você me conhece bem. Sabe que bebo para me distrair, para esquecer um pouco da vida corrida e dos acontecimentos desagradáveis. Sabe que o que falo é o que fica preso no meu "filtro mental", que são as coisas que penso e que não devo dizer. Sabe que quando danço é para disfarçar meus paços trôpegos de tanto álcool já existente na minha corrente sanguínea. E sabe que sempre choro depois de beber uma quantidade considerável, sempre por motivos que nem eu mesma sei dizer. Mas depois de achar que já estava no fundo do poço, já dizia o velho Bukowski, descobri que podia ir ainda mais fundo. Digo isso porque descobri o porque acabou. Porque você não suportava minhas manias e mudanças de humor constante. Não entendia minha alegria por cuidar de animais de rua, já que dizia que eu não conseguia cuidar nem de mim mesma. Não aguentava minha necessidade de liberdade. Não queria saber das minhas crises de choros e nem dizia, nem que fosse só para me acalmar, que ficaria ali comigo e que eu não teria com o que me preocupar. Não entendia também, minhas súbitas vontades de ficar sozinha ou de quando não conseguia ficar um minuto longe de você. Você tinha medo da minha absurda coragem de fazer as coisas sem planejar e sem ligar se dariam certo ou não. Descobri que você tinha medo de mim. E descobri que você não era tudo aquilo que eu queria. Rotina e organização era o título da sua agenda 2011. Rotina não é para mim e minha organização é tão bagunçada como meu armário. Um ano se passou e ainda não entendi o porque eu fui tão cega por ficar com você. Não estou mais no fundo do poço, agora seguro firme o balde para pegar água. Hoje sinto que não fez diferença ficar com você, só aumentou minha experiência de paixões imaginadas. Se me perguntam sobre você, a sensação é de como se você fosse uma pessoa que conheci na rua e nunca mais vi. 

Sem ressentimentos, 
Alice.




P.S.1: Fiquei com vontade de terminar uma carta de Alice.
P.S.2: Alice é uma personagem que vive na minha cabeça.
P.S.3: Parece bobeira, mas tento escrever o que eu sinto que ela sente.
P.S.4: Parece bobeira, mas não considere como bobeira. 

07 maio 2013

Tempo. Felicidade. Tequila. Cabeça.

Eaaaae! Vestibulares de inverno chegando e já fiz minha inscrição pro vestibular da UNESP, só para treinar. Quero fazer o da UFTM também. E o medo de não conseguir passar no fim do ano está dominando minha cabeça. Sei que muita gente acha que eu não me esforço nos meus estudos e tal, mas não é assim. Mal começou o ano e já estou cansada mentalmente, e esse cansaço está acabando comigo. Meus professores dizem para eu me distrair um pouco, sair, me divertir e etc. Mas pra me distrair eu não posso ficar em casa, em todo lugar que eu olho, alguma coisa me faz pensar que eu não vou conseguir passar no vestibular. E não está adiantando eu meter a cara nos livros, sendo que eu não consigo me concentrar. E quando eu saio, a preocupação é a hora que eu tenho que chegar em casa o que eu tenho que estudar no dia seguinte. MAS a vida é assim. (a vida que não estava esperando para esse momento).
Estou parando de reclamar tanto quanto eu fazia antes (e tenho que parar de reclamar da escola), e não é só parar de falar o que eu penso para as pessoas, parei de escrever tais reclamações e de reclamar até nos meu diálogos mentais. Reclamar e ficar emburrada com o mundo não ajuda em nada na minha vida. As vezes, uma revolta aqui e outra ali, adiante alguma coisa, mas não sempre. Sei que tenho que aproveitar as oportunidades que estou tendo agora. Não só as oportunidades de estudar (que é a mais importante), mas também de me divertir, conhecer coisas novas e aproveitar minha vida.
Minha cabeça anda muito ocupada com pouca coisa. Muito preocupada com escola, vestibular e futuro. O meu futuro me dá muito medo. Medo de não conseguir o que eu quero, ou apenas necessito, de não ver as oportunidades batendo na minha testa gritando para agarrá-las, de não ser quem eu sou e de não ser feliz. Não quero ser só mais uma pessoa no mundo, quero fazer diferença. Estou certa que não vou fazer uma grande diferença no mundo, mas se fizer alguma diferença com as pessoas a minha volta ou com a minha cidade, já estou super satisfeita.
Tenho que parar também de ficar tão obcecada no futuro e não viver o meu presente. Tenho medo de não conseguir realizar os meus sonhos, mas sei que não vai ser só tendo medo de não acontecer que eu vou fazer acontecer.
Mudando de assunto... Eu, como uma sonhadora aspirante à médica veterinária, achei uma cachorrinha na escola e quase peguei ela para levar para casa e cuidar dos seus machucados. E sim, estaria pulando um metro do chão se esse "quase" não estivesse nessa frase.
A razão do "quase" é o seguinte: A Tequila (nome que colocamos na cachorra) subiu as escadas da escola e chegou na minha sala, deitou debaixo da minha carteira (tipo, foi amor à primeira vista) e ficou lá dormindo.
Nisso, nenhum dos professores tinham visto a Tequila lá, mas aí, eu fui dar comida para ela e levei ela pro canto da sala que tinha sol (ela estava tremendo de frio) e um professor viu, e a secretária da escola tirou ela de lá e  depois eu não achei mais a Tequila. Tenho a levíssima impressão que ela foi abandonada por causa das peladas que ela tinha no corpinho, porque ela estava gordinha e tal, não parecia esses cachorros de rua. Daí eu queria trazê-la para casa, só para cuidar das peladas dela, porque tenho certeza que meu pai não iria deixar com que eu ficasse com ela.

E aqui, estou um pouco triste. Não consigo ler mais do tanto que eu lia antes, a escola come praticamente todo o meu tempo. Antes eu devorava um ou dois livros a cada duas semanas, e ficava quase louca quando não tinha livros para ler!

 Mas eu me acalmava e relia os que eu mais gostava. Tenho tantas séries para acabar de ler, tantos livros únicos, todos tão interessantes! Mas não tenho tempo. E agora que estou estudando devidamente é que não vou ter tempo meeeesmo!