19 novembro 2013

30Days: Estranhos conhecidos


Para ver o começo da história clique aqui




— Olá. O que vai querer tomar? — Essa é a voz de algodão. Linda, inspirante. E Bruno desejou ser o primeiro de seus clientes. 
— Apenas... hum... Eu quero um café. Isso. Um café — ela foi até a cafeteira, Bruno se odiou por gaguejar na frente dela.
A moça de cabelos de fogo voltou com seu café saindo fumaça, do jeito que ele gostava.
— Veja se está bom — disse assim que entregou.
Bruno fitou aqueles olhos verdes, sem conseguir desviar o olhar. Ela era linda. Precisava dela para o seu livro. O café estava forte, do jeito que ele gostava.
— Está maravilhoso. Obrigado.
A moça saiu, mas ficou por perto. Bruno não sabia, mas o nome dela era Alice e também estava atrás de alguém para uma história. Coincidência? Não, talvez seja o destino lhes pregando uma peça.
Alice se lembrava daquele homem, que poucos dias atrás estava observando-a, ou olhando para os homens - ela gostava do mundo daquele jeito, diferente -, naquele mesmo barzinho ajeitadinho de esquina. Ele foi a primeira pessoa com quem Alice quis realmente conversar, quis saber da vida dele para escrever algo. Sabe quando a gente vê uma pessoa e pensa que ela pode ser uma pessoa legal e, logo, quer ser amiga da pessoa? Alice quis.
— Você vem aqui todos os dias? — A moça perguntou ao moço, que estava um tanto quanto concentrado no que estava fazendo em seu notebook.
— Sim, venho todos os dias — esperou um pouco, decidindo o que perguntar. Decidiu fazer uma brincadeira — E você, vem sempre aqui?
Ela riu. Gostou da brincadeira.
— A partir de hoje, sim.
Bruno escreveu sobre seu senso de humor, sobre a maneira como seus lábios se curvavam quando sorria. Ele estava surpreso de ela ter puxado assunto, mas agora ele não sabia o que dizer. Estava tocando Johnny Cash, resolveu perguntar de música.
— É você quem coloca essas músicas?
— Sim.
— Você gosta de blues?
— Mais ou menos. Mas o Zé é quem gosta mais, ele quem pede para colocar — Zé é o dono do bar. — E então, o que faz da vida? Só vem aqui?
— Escrevo. — Alice gostou, poderia aprender algo com ele. — Estou escrevendo um livro no momento.
— Ah, é?! Também escrevo, mas é para uma revista feminina. Tenho algumas leitoras fiéis, mas não são muitas. — ela sorriu com um pouco de vergonha.
Bruno não queria admitir, mas lia algumas revistas femininas, e deixo aqui bem claro que é somente pela parte de crônicas e contos pela qual ele se interessa. Talvez... Não, não seria possível que ele já teria visto aquelas sardas e o cabelo ruivo.
— Por algum acaso... Seu nome é... Amanda? Ou Alice? Anita?... Seu nome é com A? — Alice ficou surpresa e parou de fingir limpar o balcão. Aquilo, para Bruno, foi um tremendo sim.
— É Alice.




Este texto é referente ao 4º dia do desafio 30Days Writing Challenge: Apenas diálogos. Decidi que não vou fazer em ordem, estou fazendo o que me dá na telha. E aproveitei pra escrever mais sobre a história de Alice e Bruno, que enfim se conheceram sem saber que eram um pouco conhecidos.
P.S.: Não consigo escrever diálogos, ficam sempre clichês demais. Mas espero que tenha ficado, pelo menos, mais ou menos. 

2 comentários:

  1. Eu gostei desse dialogo do Bruno e da Alice, imaginei a cena enquanto eu li . Agora quero ler mais sobre eles. Você escreve muito bem! Eu cliquei ai do lado para ver a lista com os 30 temas, mas não abriu :(
    Beijos
    everyday--things.blogspot.com

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    Respostas
    1. Realmente não está dando certo, mas a história toda de Alice e Bruno está lá em cima na parte que está escrito Apenas Alice. E obrigada, é muito bom ler isso!

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"Quero desesperadamente ser uma sacudidora de palavras para o mundo."
Markus Zusak


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