24 junho 2014

Preciso vomitar, Hugo


Sempre gostei de cortar meu cabelo, tanto que eu ia no salão a cada um mês e a cabeleireira dizia: "Mas... de novo?" Eu não consigo ficar muito tempo com a mesma cara, sei lá, eu meio que canso do meu cabelo. E, entre a grande maioria das meninas, isso é um tanto quanto estranho. Reconheço.

Em Outubro do ano passado, cortei o cabelo na altura do pescoço.
O que mais li e ouvi foi: "Doidaaaaaaaaaa!" "Corajosa" "O que você fez com seu cabelo?"
Teve também pessoas que elogiaram e disseram que gostaram, mas no fundo acreditei em poucos.

Dia 21 de Janeiro desse ano, cortei meu cabelo no estilo Joãozinho (isso, tipo menino mesmo). Outra vez ouvi os "Doida", "Louca", "Meu deus, como você é corajosa". E apareceu aquelas pessoas que falaram uma coisa depois tentaram consertar: "Nossa, estava mais bonito do outro jeito... mas assim também ficou bom."

Sinceramente, não ligo que as pessoas não tenham gostado, que elas achem que quando meu cabelo era muito comprido eu estava mais bonita ou que elas achem que gosto de menina (mesmo namorando um homem por mais de dois anos).

Na minha opinião, quem tem que gostar do meu cabelo é apenas uma pessoa. Ninguém menos que eu mesma.

Acho que as pessoas têm que mudar. Principalmente mulheres. São sempre tão iguais com esses cabelos grandes e retos. No carnaval, encontrei uma gringa que apostou com o amigo que eu não era brasileira porque eu tenho o cabelo curto. Vamos mudar! Mulher, escute (ou leia, tanto faz): "Depois que tirei (o cabelo) fui perceber que o que chama atenção nas pessoas é o cabelo e não os traços." Depoimento de uma amiga que também tem o cabelo curto. Obrigada, Rafa.

Concordo plenamente com ela. A partir do momento que cortei o cabelo comecei a observar que as pessoas prestam mais atenção, com isso passei a me cuidar mais (nem tanto, ainda pareço um muleque às vezes).

E, para o texto não ficar tão contradizente com o título, eis aqui meu vômito.

Para todas as pessoas idiotas que perguntam, para mim e para tantas outras garotas que cortaram o cabelo, porque fizemos isso ou o que nos deu... O mundo é maior que seus longos fios e até mesmo que sua estética. Não é porque você tem o cabelo grande que você é bonita ou porque você tem o cabelo curto que não venha a ser também!

É isso, estava necessitando de um desabafo razoável e pouco agressivo.
Precisava chamar você, Hugo. Obrigada por enfiar o dedo na minha garganta.



Desculpe se ofendi alguém, mas foi essa a minha intenção. Não reclame, nem usei palavras de baixo calão.

03 junho 2014

Uma paixão que dá tempo

We Heart It

O tempo passa. Cada vez mais rápido. E você usa aquela desculpa do tipo "tinha tanta coisa para fazer e não deu tempo". Eu também uso, óbvio. Quem não fala isso?
Gosto de falar que não tenho tempo para fazer certas coisas (como arrumar meu guarda-roupa decentemente). Desculpa para ler mais. Sim, ler livros. Ficção, não-ficção, romance, suspense, policial, fantasia. Qualquer tipo. Como diz uma amiga minha: Leio até bula de remédio!

Amo livros, tipo, muito mesmo. Sou aquele tipo de pessoa que não pode ver que aquele livro, que a tempos desejado, de quarenta e tantos reais está de promoção que vou logo comprando (caso tenha dinheiro, claro). As pessoas dizem que sou uma consumidora compulsiva de livros, mas tenho uma desculpa lógica e plausível: tenho que aproveitar enquanto está barato.

Aliás, não gosto de livros por eles terem mais paciência que as pessoas, gosto porque viajo para lugares infinitos. Não gastei dinheiro nenhum quando fui de leste a oeste da Europa apenas entrando em Anunciadores. Conheci a Terra do Nunca e os meninos perdidos. Se estivesse me escondendo dos Nazistas, acho que passaria meus dias lendo e escrevendo num diário. Ah, também gostaria de ter pensado em escrever em dois diários como a Sarah Nelson. Sei que não preciso ser bonita para dar uma volta com Alasca Young.

Fiz alguns melhores amigos e eles me perdoam quando desapareço por um tempo e depois volto de mancinho. Conheci homens irresistíveis, mas também conheci um velho safado e bêbado que chamou atenção. Sinceramente, não ligaria se um anjo caído se aproximasse apenas para me matar e depois se apaixonar por mim, não ligaria mesmo!

Vivi mais histórias nos livros que na vida real. Aprendi a olhar as pessoas com outros olhos e tentar compreendê-las mais.

Não há tempo ruim para ler um livro, levo um na bolsa para qualquer lugar (dependendo do tamanho!). Sempre tenho aquele tempinho na fila do pão ou esperando a carona debaixo de garoa. Para ler eu tenho tempo. Para ler, dá tempo.